Intuito da flores

Perfumar e colorir
Dizer e que com palavras e impossível dizer
Mentir, e com a dor dançar.
Fazer olhos arderem.
Chorarem
Contas vivas matizadas
Da força de cada intenção
Coroa a cabeça do vencedor
E enterrem e selam o perdedor
Do mais belo lugar
Ao gueto mais sujo
Das ruas estreitas
O mais vasto campo
Solitário, a intenção.
Misterioso eu
Será então igual a elas
Beleza, estranheza...
Não consigo dar um fim ao poema, na verdade o tema que escolhi de certa forma me perturba. Não sei o porquê “flores”, apenas pensei e algum tipo de inspiração e de repente veio, “flores”. Escrevi, mas não consegui dar uma continuidade de acordo com a minha coerência a ele. Como uma estatua, acho que lhe faltam as pernas.
Penso então que talvez seja assim que nascem as grandes obras, não que o meu poema seja uma obra prima, mas foi uma inspiração, um sopro de algo do meu subconsciente que marcou minha vida. Então pode ser desta forma: o gênio está lá sentado no banco do ônibus, meio sonolento. Num súbito um estalo de pensamento provocado por uma palavra, situação, cheiro ou som. Uma vontade inquietante apodera-se do seu corpo e mente. Saca do bolso uma caneta, da bolsa folha e escreve o que vem a mente. Nasce à poesia e junto uma sensação estranha, confusa, uma sensação de momentâneo poder. E vai embora da mesma forma que veio sorrateiro, rápido.
Desespero-me e como poema que lhe faltam pernas, fico a espera da nova inspiração, o meu poder, e sabe-se Deus quando vai voltar, quando finalmente vou entender o motivo das flores e dar pernas ao maldito poema.
(ilus. aline - eu - )

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