Coisas sozinhas...

O Diário da Boneca
Do mundo vazio.
Os olhos da boneca quebrada, remendada.
Observa os títeres.
Aqueles que brincam de deuses.
A boneca pálida triste, nem chora.
Ela não possui mais vontade.
Eles discutem entre si.
Quem será o próximo.
A brincar com boneca.
Machucar a boneca.
Faze-la sangrar de verdade.
Mentir, destruir, quebra-la mais uma vez.
Discutem passivamente, calma!
Porque a boneca não se move.
Ela perdeu sua identidade.
Perdeu suas vontades, sonhos.
Seus desejos de um impossível.
Todos apagados foram mortos dentro dela.
Com o gozo dos títeres.
Que arrancaram o coração ainda vivo.
Do peito da boneca macilenta.
Toda dolorida ela espera.
Enquanto discutem, quem será o próximo.
A boneca chora silenciosa o amor inexistente.
O amor que não existe nela.
E nem fora dela.
O Toque de Lela
Com as pontas dos meus dedos
Passo a tocar o AMOR
Fez-se abstrato, o sentido.
Difícil não sentir
E admitir que sinto quando toco
Pois toco a palavra, o concreto.
Sinto o abstrato, o confuso.
Cheio de controvérsias...
Fez-se para mim realidade, a palavra.
Tornou-se invisível o sentido, sentimento.
Toco apenas a casca da palavra
O palpável pra mim
E sinto seu interior sem ao menos vê-lo.
Um dia será, deixarei a casca.
Entrarei na palavra
E lá morrerei finalmente
Embevecida da fantasia e do êxtase
Da loucura que acarreta
Amar sem ver e nem tocar

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