Saturday, November 25, 2006

Universo meu...



Depois da dor
Do dissabor
Do viver
Caminho pela areia
No mesmo ritmo é o sangue em minhas veias
Do sonho de mundo e de amor
Sem mais sorrir da bela cor
A noite reina sob minha mente
Sem nenhuma estrela cadente
Sem mais os barcos com suas luzes andantes
Que enlaçavam meu corpo adiante
Do ser querido, amigo, inimigo
Na areia pálida caminho
Doando minhas contas de liquido vidro
Sem rumo ou direção
E as vontades onde iram
Para o dia que raia
Do sol vermelho encontrará
Então, motivo de parar
E contemplar
O universo se misturar
Em si, em mim e mais ninguém.


Coração, dádiva
Sorriso da morte
Sonho partido
O olho faminto
Do tom da chuva
Quebrar o silêncio
Nua resolução
Causa da dor e da aflição
Angustia inquietante
Do eu prestante
Sorrir maquiavélico
Angélica fala
Sem cor nem viço
Forte emoção negra
Dos vis caminhos
Em mérito a justiça
Sempre chora
A pobre menina


No embalar
Os corpos dançam
Ao som da voz, sussurro...
A pele na pele
Mundos, mentes disparados na canção
Tente não dançar?
Mas eles se balançam
À luz ao escuro
Em ritmo
No enrolar dos dedos
No unir dos lábios
Ardentes...
Diferentes...


Olhos iguais.
Aos olhos.
Desilusão.

Sunday, November 19, 2006

Intuito da flores



Perfumar e colorir
Dizer e que com palavras e impossível dizer
Mentir, e com a dor dançar.
Fazer olhos arderem.
Chorarem
Contas vivas matizadas
Da força de cada intenção
Coroa a cabeça do vencedor
E enterrem e selam o perdedor
Do mais belo lugar
Ao gueto mais sujo
Das ruas estreitas
O mais vasto campo
Solitário, a intenção.
Misterioso eu
Será então igual a elas
Beleza, estranheza...




Não consigo dar um fim ao poema, na verdade o tema que escolhi de certa forma me perturba. Não sei o porquê “flores”, apenas pensei e algum tipo de inspiração e de repente veio, “flores”. Escrevi, mas não consegui dar uma continuidade de acordo com a minha coerência a ele. Como uma estatua, acho que lhe faltam as pernas.
Penso então que talvez seja assim que nascem as grandes obras, não que o meu poema seja uma obra prima, mas foi uma inspiração, um sopro de algo do meu subconsciente que marcou minha vida. Então pode ser desta forma: o gênio está lá sentado no banco do ônibus, meio sonolento. Num súbito um estalo de pensamento provocado por uma palavra, situação, cheiro ou som. Uma vontade inquietante apodera-se do seu corpo e mente. Saca do bolso uma caneta, da bolsa folha e escreve o que vem a mente. Nasce à poesia e junto uma sensação estranha, confusa, uma sensação de momentâneo poder. E vai embora da mesma forma que veio sorrateiro, rápido.
Desespero-me e como poema que lhe faltam pernas, fico a espera da nova inspiração, o meu poder, e sabe-se Deus quando vai voltar, quando finalmente vou entender o motivo das flores e dar pernas ao maldito poema.

(ilus. aline - eu - )